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domingo, 20 de janeiro de 2013

Memorial do Bruxo




    Pessoal, já se encontra à venda o livro "Memorial do Bruxo - Conhecendo Machado de Assis". Trata-se de uma excelente biografia a respeito de Machado, escrita numa linguagem muito agradável, de uma maneira bastante simples e didática. Indicada para estudantes e estudiosos em geral, que desejam conhecer um pouco mais sobre a vida e a obra do maior escritor brasileiro do século XIX. O livro apresenta 332 páginas com ilustrações e revela diversas curiosidades e anedotas a respeito do "Bruxo do Cosme Velho". O autor defende tese inédita a respeito do motivo pelo qual Machado de Assis teria mudado radicalmente a sua maneira de escrever e ver o mundo, por volta de 1878, abandonando os moldes românticos da época, para adotar uma posição mais crítica, pessimista e amarga diante dos homens e da vida.

   O livro está sendo vendido no formato e-book  pelo site Amazon por apenas U$ 3,99 no link abaixo:

http://www.amazon.com/Memorial-Bruxo-Conhecendo-Portuguese-ebook/dp/B00AXJZNEQ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1358677137&sr=8-1&keywords=memorial+do+bruxo
Agradeço toda divulgação!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A CASA DO COSME VELHO (1)

       


Casa do Cosme Velho, 18
Nesta residência, Machado de Assis e Carolina
viveram grande parte da vida.

          Machado de Assis e Carolina já moravam há alguns anos na rua do Catete, quando o proprietário do imóvel pediu a casa. De uma hora para outra, o casal viu-se novamente obrigado a mudar de residência. Já estavam acostumados àquela moradia pequena, mas aconchegante, com grandes janelas na parte da frente, através das quais os transeuntes podiam ver o escritor e sua esposa conversando na sala.
          Com a morte de Rodrigo Pereira Felício, a Condessa de São Mamede, Joana Maria, herdara uma bela chácara nas Laranjeiras. Decidiu lotear sua propriedade e mandou construir no terreno quatro chalés, que ela resolveu alugar. Ao saber que Machado de Assis e Carolina estavam procurando uma nova casa, a condessa ofereceu-lhes o seu imóvel. A princípio, Joaquim Maria esteve para recusar a proposta, pois imaginava que não teria condições de arcar com o custo do aluguel naquele bairro elegante, mas Joana Maria afirmou que lhes cobraria a mesma importância que eles pagavam em sua residência anterior. Assim sendo, no início de 1884, o casal mudou-se para a rua do Cosme Velho, 18, onde permaneceria até o final da vida.
          Era uma ruazinha sossegada, bem ao gosto do escritor. O único inconveniente é que ela ficava um pouco longe do centro da cidade, para onde Machado teria de ir diariamente, tomando o bondinho das “Águas Férreas”. Diante de sua casa, havia um riachinho, ladeado por um pequeno muro de pedra. Era aí que ficava a famosa Bica da Rainha, onde dona Carlota Joaquina costumava vir lavar seu rosto, pois corria pela cidade a lenda de que tais águas tinham certas propriedades miraculosas, capazes de transformar em mulheres belíssimas aquelas que haviam sido pouco ajudadas pela natureza.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

A CASA DO COSME VELHO (2)

          Entremos, pois, na casa do escritor. Ao abrirmos o portão de ferro, alto e de grade, a primeira coisa que nos chama a atenção é o jardim, com diversas plantas e até algumas árvores, onde os pássaros cantam livres, pois Machado nunca os quis ter em gaiolas. Do lado esquerdo de quem entra, está enterrada a cadelinha Graziela, companheira fiel do casal por tantos anos. No primeiro andar, vemos duas janelas, ladeando a porta de entrada, que dá para a sala de visitas. Este é o único ambiente da casa que o escritor permite que seja freqüentado pelos amigos. O restante da moradia, nem os mais íntimos conheciam. Poucos móveis compunham o mobiliário da sala: um sofá, uma mesinha, cadeiras e alguns quadros, como o de Beatriz e Dante, além de alguns retratos de amigos: Joaquim Nabuco, Salvador de Mendonça e Magalhães de Azeredo. Também se encontravam emoldurados algumas folhas secas, relíquias que os companheiros de letras lhe mandavam de presente ao viajarem para o exterior: as folhas do salgueiro que deitavam sombra sobre o túmulo de Musset e o ramo do carvalho de Tasso, que seria entregue a Machado numa das reuniões da Academia Brasileira de Letras.
          Além da sala de visitas, havia ainda no andar de baixo uma espaçosa cozinha, uma saleta, onde Carolina costumava costurar e bordar e uma varanda que saía para o quintal. No andar de cima, três amplas janelas davam para o jardim. O quarto era voltado para a frente e possuía, além de uma grande cama de casal, alta e larga, uma cômoda com espelho. Havia também um quarto pequeno, que era utilizado para vestir, com guarda-roupa, lavatório e cômoda. Ao lado, ficava o escritório de Machado de Assis, onde ele escreveu grande parte de suas obras-primas. Era a única parte da casa que Carolina tinha ordens expressas de não arrumar nada. O escritor estava acostumado com aquela bagunça, com seus livros, jornais, brochuras, tudo espalhado e misturado por toda parte. Uma das portas do escritório dava acesso a uma varanda, com vista belíssima, mas Joaquim Maria pôs diante dela um enorme armário envidraçado. Isto demonstra bem que ele nunca teve uma grande sensibilidade visual. Poderia buscar inspiração admirando as montanhas, mas preferia a reclusão de seu gabinete.
          A casa do Cosme Velho custava ao casal a importância de cento e trinta mil réis mensais. Por toda sua vida, Machado de Assis nunca teve casa própria, embora possuísse recursos para adquirir um imóvel, caso desejasse.



Escrivaninha de Machado de Assis,
onde ele escreveu grande parte de sua obra.