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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Carolina (2)


    Carolina Jovem

     Nascida na cidade do Porto a 20 de fevereiro de 1835, tinha Carolina trinta e três anos quando chegou ao Brasil. Costuma-se afirmar de maneira leviana que ela teria sido uma moça feiosa. Quem defende este juízo, estriba-se basicamente no seguinte: num famoso retrato de Carolina, tirado aos quarenta e quatro anos de idade, quando ela já não era mais nenhuma menina; na opinião de Francisca de Basto Cordeiro, que conheceu Carolina numa época em que esta já era uma mulher madura; e no fato dela ainda não se encontrar casada aos trinta e três anos, idade em que as solteironas do século XIX já haviam perdido as esperanças de contratar casamento. Ora, tudo isso é muito precário para fornecer qualquer dado que seja a respeito de sua beleza. É possível que Carolina não fosse a mocinha mais bonita do Porto, mas Jean-Michel Massa afirma que ela foi muito cortejada e mais de um poeta dedicou-lhe versos apaixonados.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

FAUSTINO XAVIER DE NOVAIS (1)



      Faustino Xavier de Novais nasceu na cidade do Porto, a 17 de fevereiro de 1820. Filho de Antônio Luís de Novais e Custódia Emília Xavier de Novais (sogros de Machado de Assis), era o filho mais velho das seis crianças que o casal gerou: Faustino, Miguel, Henrique, Adelaide, Emília e Carolina, a caçula. Recebeu apenas instrução elementar, tendo sido autodidata. Aos oito anos já compunha versos. Trabalha na loja de seu pai como relojoeiro e ourives e, depois, emprega-se no Banco Mercantil Portuense. Com o pseudônimo de Saturno, escreve no Periódico dos Pobres do Porto (não confundir com o jornal homônimo, publicado no Brasil, onde Machado publicou seu primeiro soneto). Entre 1852 e 1853, encontramos Faustino dirigindo a revista literária O Bardo, que se caracterizava pela sátira violenta e pela zombaria mordaz. É provável que por causa dessas sátiras tenha sido obrigado a deixar o Porto e vir para o Brasil, embora Camilo tenha dito que ele fugira para o Rio de Janeiro por causa de “um amor baixo, ignóbil até a miséria.” Seja como for, chegou aqui já casado, pois aos trinta e cinco anos contraiu matrimônio com Ermelinda Novais, mas se sabe que o poeta não se dava com ela, que tinha mau gênio. Em 1855, ano de seu casamento, publica um livro intitulado Poesias, que recebeu boa acolhida por parte da crítica. Entretanto, morar no Porto não era fácil para um poeta satírico de língua afiada como ele, que vivia ofendendo sensibilidades e fomentando ódio e inimizades.

sábado, 31 de outubro de 2009

FAUSTINO XAVIER DE NOVAIS (2)

    
      O comendador Rodrigo Pereira Felício, futuro Conde de São Mamede, viaja para a Europa em companhia de sua esposa, Joana Maria, antiga aluna do Colégio das Meneses, que conheceu Machado de Assis baleiro. Em Portugal, Rodrigo Pereira Felício trava boa amizade com Faustino, sugerindo que ele venha conhecer o Brasil. O poeta bem que gostaria, mas não tem como arcar com os custos da viagem. Passam-se três anos e Rodrigo compra passagens de navio para o poeta e sua senhora, enviando-as de presente para eles. Em 2 de junho de 1858, poucas semanas antes da chegada de Ribeyrolles ao Rio de Janeiro, Faustino Xavier de Novais e sua esposa Ermelinda desembarcavam no Brasil, tendo viajado a bordo do navio Tamar. Casimiro de Abreu dá as boas-vindas ao poeta em versos:

“Bem-vindo sejas, poeta
A estas praias brasileiras!
Na pátria das bananeiras
As glórias não são demais:
Bem-vindo, ó filho do Douro,
À terra das harmonias!
Quem tem Magalhães e Dias
Bem pode saudar Novais!”

     Porém, pouco tempo a esposa do poeta suportou a nova vida. Já em 1860, Faustino despacha-a de volta a Portugal. A partir de 1862, o poeta hospeda-se no Rio Comprido, em casa de dona Rita de Cássia Calasans Rodrigues, filha solteirona e cinqüentona da Baronesa de Taquari, dona Maria da Conceição Calasans Rodrigues. Escreve constantemente cartas a Camilo Castelo Branco, dizendo-lhe que não possui um vintém sequer, mas tem casa e comida de graça. Numa dessas cartas, o autor de Amor de Perdição confessa que, se seus problemas se agravassem e ele tivesse de escolher entre o suicídio e o Brasil, era capaz dele escolher o Brasil. Faustino não se acostumava com os hábitos da terra e escrevia ao amigo coisas horríveis a respeito do Rio de Janeiro e sua gente. Tanto que Camilo preferiu não vir para o Brasil, escolhendo anos mais tarde o suicídio.



Camilo Castelo Branco, que preferiu o suicídio
a vir para o Brasil.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

FAUSTINO XAVIER DE NOVAIS (3)



     Na residência da Baronesa de Taquari, Faustino fez amizade com muitos intelectuais do tempo, pois aí se costumava realizar um dos melhores salões lítero-musicais do Rio de Janeiro. A idéia de Faustino era enriquecer no Brasil e, novamente com a ajuda de Rodrigo Pereira Felício, abre uma casa comercial na rua Direita, n. 66, onde se vendia um pouco de tudo, desde livros e artigos de papelaria até perfumes e charutos. Faustino tinha barba passa-piolho, que foi a primeira barba do romantismo (somente no tempo da Guerra do Paraguai é que apareceram os cavanhaques e as suíças). Um de seus passatempos preferidos era tocar flauta. Poeta sem grande talento, mas hábil versejador, Faustino deixou algumas poesias que se tornaram populares, como esta que ele escreveu num álbum:


“Num álbum escrever é negra empresa,
De que o vate jamais sai triunfante.
Se é no canto singelo, - é ignorante,
Se é pomposo, - renega a natureza.

Se não cita ninguém mostra pobreza,
Se faz mil citações é um pedante;
Se é pródigo em louvor, - repugnante,
Se não louva, - não tem delicadeza.

Se dá cantos de amor, - é um baboso,
Se em prosa escreve só, - quer ser rogado,
Se escreve prosa e verso, - é orgulhoso.

Se enche muito papel, - é um desalmado,
Se breve assunto escolhe, - é preguiçoso,
Se recusa escrever, - é um malcriado.”

terça-feira, 29 de setembro de 2009

FAUSTINO XAVIER DE NOVAIS (4)

      Sabe-se que Faustino trabalhou no serviço de estatística da Praça do Comércio, uma espécie de bolsa de valores da época. Do dinheiro que ganhava, sempre remetia uma parte para seu pai, que continuava morando na cidade do Porto e agora passava por dificuldades financeiras. A morte de sua mãe em 1867 contribuiu para acelerar ainda mais a loucura de Faustino. Ele agora precisava de cuidados especiais e sua irmã, Carolina, veio também para o Brasil a fim de lhe servir como enfermeira. Vivia irritadiço e era comum esquecer nomes e as coisas. A conselho médico, Faustino e Carolina vão atrás de melhores ares em Petrópolis, mas todo esforço é em vão. Sem qualquer melhora, eles retornam ao Rio de Janeiro e vão morar numa casa de Ernesto Cibrão, localizada na rua Marquês de Abrantes. Camilo, que o havia citado em seu romance Eusébio Macário, afirmava que, ainda no tempo em que Faustino morava no Porto, ele apresentava momentos de “intermitências de tristeza negra”.

      Morre Faustino Xavier de Novais a 16 de agosto de 1869, pouco antes do casamento entre Machado e Carolina. Praticamente quase toda a edição de 29 de agosto da Semana Ilustrada, onde Joaquim Maria vinha colaborando desde 1860, foi dedicada ao desaparecimento do poeta, publicando-lhe nota biográfica, algumas de suas poesias e um poema que Machado de Assis escreveu em sua homenagem. Os dois haviam se conhecido no Grêmio Literário Português, através de Augusto Emílio Zaluar, e ficaram mais íntimos durante o convívio na redação da revista O Futuro.